Larissa da Rosa, de 22 anos, filha de Eleci Faleiro — morta em 29 de julho de 2025 — afirmou que não teve tempo de fazer o luto pela mãe. Ela concedeu entrevista à Rádio Garibaldi no sábado, que foi ao ar na manhã desta segunda-feira.
Eleci foi morta pelo esposo dentro da residência do casal, no bairro São Francisco. Na semana passada, ocorreu o julgamento pelo Tribunal do Júri. Como os jurados afastaram o dolo, o juiz fixou a pena com base na decisão do conselho de sentença. O réu foi condenado a 9 anos, 8 meses e 4 dias de detenção, além da perda do poder familiar sobre a filha menor, decisão que será averbada na certidão de nascimento da criança.
O acusado foi condenado por lesão corporal seguida de morte, e não por feminicídio.
Larissa considera a pena branda diante da gravidade do crime. Segundo ela, o Ministério Público irá recorrer da decisão, tanto para evitar que o condenado retorne à convivência social em pouco tempo, quanto em defesa de outras mulheres vítimas de violência doméstica.
Ela relata que, desde a morte da mãe, precisou assumir diversas responsabilidades. De filha e irmã, passou a exercer o papel de mãe da irmã mais nova, Ayla, de apenas 4 anos. Larissa recebeu a guarda provisória da criança e afirma que lutará pela guarda definitiva.
“Estou cuidando muito bem da Ayla e tentando passar tudo da melhor forma possível. Ela está em acompanhamento psicológico desde o dia 1º de agosto, dois dias após o ocorrido”, afirmou.
Larissa também convive com as imagens do momento em que encontrou a mãe morta dentro do box do banheiro, junto com um vizinho, sendo uma das primeiras pessoas a chegar ao local. Além da dor da perda, carrega a ausência da mãe e amiga por quem tinha profundo orgulho.
“Eu nunca consegui fazer o luto por vários fatores: encontrar minha mãe morta, organizar a despedida, a preocupação em cuidar da minha irmã, a constituição de advogado junto com a promotoria para o júri e a organização de camisetas para as pessoas que amavam minha mãe e buscavam justiça”, relata Larissa, que trabalha desde cedo.
Relação com a mãe
Eleci era a filha mais velha de uma família com três irmãs. Teve Larissa aos 16 anos e enfrentou preconceito por engravidar cedo, mas assumiu a maternidade com responsabilidade. Criou a filha junto com o pai até a separação do casal.
“A nossa relação era de cumplicidade e parceria. Quando eu tinha 13 anos, fizemos uma tatuagem juntas. Eu tenho a inicial do nome dela tatuada no braço. Me orgulho muito disso. Ela marcou na pele dela o amor por mim, e eu carrego o amor por ela”, contou.
Segundo Larissa, Eleci também tinha um amor profundo pela filha mais nova. Mesmo enfrentando uma trombose gestacional, que exigia aplicações diárias de injeções na barriga, cuidou da saúde para garantir uma gestação segura.
“Minha mãe era vaidosa, tinha sempre um sorriso largo no rosto. Não existia momento ruim. Gostava de ajudar a todos e era sempre muito preocupada com a família: com os pais, com nós, filhas”, relembra.
Eleci trabalhava há 14 anos na área da hotelaria, em turno noturno. Durante esse período, Larissa, ainda com 18 anos, assumia os cuidados da irmã mais nova durante a noite.
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